Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Grande Entrevista - 2ªParte

Não se importa de revelar a identidade de uma mulher que lhe tenha despertado uma grande paixão?
Uma grande paixão foi Rosa Infante, a Viscondessa da Luz, uma grande inspiradora do meu trabalho, as “Folhas Caídas”.
 
Fale-nos um pouco sobre a época em que viveu...
Naquela época, na primeira metade do século XIX, vivíamos um período histórico difícil. Foi o tempo de implantação do regime liberal… eu era muito jovem na altura e cheio de ideais, convencido que a chegada da liberdade traria a felicidade aos homens. Mas depois apercebi-me que as estruturas e as mentalidades evoluem muito devagar, demoram o seu tempo…
 
Se vivesse na época actual, como acha que seria a sua vida?
Não seria tão intensa, já não se vive uma época tão romântica.
 
Indique-nos um período da sua vida que tenha sido particularmente difícil.
Hum… a década de 40… sim, sem dúvida a década de 40, foi uma época rica, mas também difícil.
Vocês sabem que fui um sedutor, um namorador, com um coração volátil sofrendo de incandescência fácil. As mulheres… Eu frequentava muito a vida social, o teatro, o passeio público… Estive casado com a minha 1ª esposa, Luísa Midosi, durante 13 anos. Mas iniciei uma ligação nos anos 40 com Adelaide Pastor de quem tive três filhos, dois dos quais morreram e apenas uma filha, Maria Adelaide, sobreviveu, mas desse parto morreu a mãe, Adelaide.
 
Fale-nos um pouco da sua obra “Frei Luís de Sousa”.
O "Frei Luis de Sousa" foi a minha primeira obra de teatro romântico e também a primeira obra “moderna” do nosso século XIX. Conta a história da destruição de uma família virtuosa, a história do Manuel de Sousa Coutinho, um português fiel aos valores patrióticos e inconformado com o domínio espanhol, que se vivia na altura em Portugal [1599].
Frei Luís de Sousa é o nome religioso de Manuel de Sousa Coutinho, nascido em Santarém e que veio a falecer em Lisboa. Na vida real, era um fidalgo cavaleiro da Ordem Militar de Malta. Esteve preso em Argel, vindo a conhecer na prisão Miguel de Cervantes. Libertado em 1577, regressa a Portugal, prestando serviços ao rei Filipe II de Espanha e vivendo dois anos em Valência. De regresso a Portugal casa-se com D. Madalena de Vilhena, após o desaparecimento de D. João de Portugal, seu marido, na batalha de Alcácer Quibir. Assume vários cargos, como o de capitão-mor de Almada e o de guardador-mor da Saúde. Após a morte de sua filha professa na Ordem de São Domingos, dedicando-se inteiramente à escrita.
 
De uma forma resumida, o enredo é o seguinte: A obra concentra-se no período da vida de Manuel de Sousa Coutinho imediatamente antes do seu ingresso, juntamente com a esposa D. Madalena de Vilhena, na vida monástica. Decisão tomada pelo facto de o primeiro marido de D. Madalena, D. João de Portugal, tido por morto na Batalha de Alcácer Quibir, estar ainda vivo e ter regressado a Portugal, tornando ilegítimo o casamento de D. Manuel e bastardos os seus filhos.
E aí começa a verdadeira dimensão trágica desta peça: realmente, tudo apontava para uma alta improbabilidade da hipótese de D. João de Portugal ainda estar vivo e mesmo a sociedade via com bons olhos o casamento entre Manuel e Madalena. Temendo a catástrofe, D. Madalena tem constantemente premonições trágicas, as quais vão ser concretizadas com a chegada de um Romeiro, que diz vir da Terra Santa e querer falar com Madalena. Ao revelar a sua identidade, uma série de consequências irão advir. Mostrando uma dignidade tocante, Manuel de Sousa Coutinho rende-se ao destino cruel e vai professar, juntamente com Madalena. Maria, a filha, revoltar-se-á contra uma sociedade retrógrada, que de nada lhe valeu a revolta, antes pelo contrário. O seu rótulo de ilegítima custar-lhe-á a morte por vergonha.
 
Para concluir, diga-nos como gostaria de ficar para a história...
Bem... reconhecido pela minha obra, sem dúvida!
 
Agradecemos a sua colaboração neste trabalho e desejamos-lhe um romântico regresso ao passado.
Foi um prazer conceder-vos esta entrevista e divulgar um pouco de mim e da minha obra. Gostei muito desta entrevista.
Fontes utilizadas
Feel Like..: Com muito sono...
Posto por Soundslave às 23:06
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