Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Grande Entrevista - 1ªParte

Almeida Garrett viaja no tempo!
 
Dramaturgo, poeta, romancista e político, Almeida Garrett foi um inovador da escrita e da composição literária do século XIX. Na conturbada vida política da primeira metade do século, distinguiu-se como jornalista, deputado e ministro. Foram as suas responsabilidades políticas que o levaram a fundar o Teatro Nacional (hoje Teatro Nacional D. Maria II ) e o Conservatório.
Na sua actividade de dramaturgo propõe-se criar um repertório dramático português. Como romancista, Garrett é considerado o criador da prosa moderna em Portugal. Na poesia, é dos primeiros a libertar-se dos cânones clássicos e a introduzir em Portugal a nova estética romântica
 
Foi este grande homem que acedeu viajar no tempo, até 2007, para nos conceder uma entrevista que nos permitirá ficar a conhecer a sua vida e obra.
Bom dia, Sr. Garrett!
Bom dia caro senhor!
 
Para começar, pode dizer-nos o seu nome completo?
Fui baptizado como João Leitão da Silva, só mais tarde acrescentei ao meu nome o Baptista (em honra do meu padrinho) e os apelidos Almeida Garrett (o primeiro da minha avó materna; o segundo da minha avó paterna, que era de origem irlandesa).
 
Lembre-nos as datas do seu nascimento e da sua morte...
Nasci no Porto em 4 de Fevereiro de 1799 e morri em Lisboa a 9 de Dezembro de 1854.
 
Indique-nos outras duas datas que tenham marcado a sua vida e uma que considere importante em relação à sua obra. Gostaríamos que justificasse a sua escolha.
Das datas que considero importantes para a minha vida foram 1823, quando fui exilado por ter participado na revolução liberal e fui para Inglaterra. Foi aí que tive contacto com o movimento romântico, descobri o Shakespeare, o Byron, o Walter Scott e outros grandes autores que me beneficiaram no conhecimento do Romantismo. Outra data também muito importante foi em 1851, já no fim da minha vida, fui finalmente reconhecido e tornado Visconde de Almeida Garrett.
Em relação à minha obra… não posso dizer só uma data! Considero que houve pelo menos duas que marcaram o meu percurso: 1818, quando publiquei o poema “Retrato de Vénus” e fui acusado nas páginas da Gazeta Universal pelo Padre José Agostinho de Macedo de ser “materialista, ateu e imoral”; e 1843 quando publiquei a minha obra-prima “Frei Luís de Sousa”, considerada a obra mais brilhante que o teatro romântico produziu.
 
De todos os locais onde viveu, refira-nos dois que o tenham marcado e explique a sua importância.
Quando fui viver para Coimbra, onde estudei Direito, tive o primeiro contacto com a vida estudantil e o movimento liberal. Foi aí que fundei um teatro académico e também fundei uma sociedade maçónica com Manuel da Silva Passos, um grande amigo, e José Maria Grande; depois em Inglaterra onde tive contacto com os românticos europeus, aos quais fui buscar influências que marcaram toda a minha obra: o gosto pelos valores nacionais, a evocação da religião cristã em vez do paganismo, a criação de momentos dramáticos e a colocação de sentimentos exacerbados em cena.
 
Se tivesse que traduzir a sua vida numa única cor, que cor escolheria?
Sem dúvida o vermelho escuro
Porquê?
Porque é a cor do Amor e ao mesmo tempo do mistério da Paixão.
 
Pedimos-lhe que pense em cinco palavras que nos revelem o essencial da sua vida. Já agora, justifique essa escolha.
Dandy – era um homem muito elegante, sedutor e príncipe dos salões mundanos
Romantismo – época em que vivi e nome do movimento pelo qual fui influenciado
Luz – faz parte do nome da mulher de quem gostei muito, a Viscondessa da Luz
Teatro – gostei muito de trabalhar em todas as minhas obras teatrais
Exílio – estive exilado várias vezes, por motivos políticos, primeiro em Inglaterra e depois em França. Mas foi de Inglaterra que trouxe muitas novas ideias para o período romântico.
 
Considera-se um romântico?
Considero. A minha formação inicial foi clássica, mas realmente fui um romântico. Também não podemos esquecer que o romantismo e o Liberalismo caminham a par e passo. E eu professava um liberalismo ousado, defendia mesmo posições radicais…
O Romantismo é o Liberalismo na literatura. O Romantismo exalta a subjectividade, a originalidade e é contra o obscurantismo. O pensamento político liberal acompanha o Romantismo nas artes.

Continuação
Feel Like..: Convicto em ganhar!

Grande Entrevista - 2ªParte

Não se importa de revelar a identidade de uma mulher que lhe tenha despertado uma grande paixão?
Uma grande paixão foi Rosa Infante, a Viscondessa da Luz, uma grande inspiradora do meu trabalho, as “Folhas Caídas”.
 
Fale-nos um pouco sobre a época em que viveu...
Naquela época, na primeira metade do século XIX, vivíamos um período histórico difícil. Foi o tempo de implantação do regime liberal… eu era muito jovem na altura e cheio de ideais, convencido que a chegada da liberdade traria a felicidade aos homens. Mas depois apercebi-me que as estruturas e as mentalidades evoluem muito devagar, demoram o seu tempo…
 
Se vivesse na época actual, como acha que seria a sua vida?
Não seria tão intensa, já não se vive uma época tão romântica.
 
Indique-nos um período da sua vida que tenha sido particularmente difícil.
Hum… a década de 40… sim, sem dúvida a década de 40, foi uma época rica, mas também difícil.
Vocês sabem que fui um sedutor, um namorador, com um coração volátil sofrendo de incandescência fácil. As mulheres… Eu frequentava muito a vida social, o teatro, o passeio público… Estive casado com a minha 1ª esposa, Luísa Midosi, durante 13 anos. Mas iniciei uma ligação nos anos 40 com Adelaide Pastor de quem tive três filhos, dois dos quais morreram e apenas uma filha, Maria Adelaide, sobreviveu, mas desse parto morreu a mãe, Adelaide.
 
Fale-nos um pouco da sua obra “Frei Luís de Sousa”.
O "Frei Luis de Sousa" foi a minha primeira obra de teatro romântico e também a primeira obra “moderna” do nosso século XIX. Conta a história da destruição de uma família virtuosa, a história do Manuel de Sousa Coutinho, um português fiel aos valores patrióticos e inconformado com o domínio espanhol, que se vivia na altura em Portugal [1599].
Frei Luís de Sousa é o nome religioso de Manuel de Sousa Coutinho, nascido em Santarém e que veio a falecer em Lisboa. Na vida real, era um fidalgo cavaleiro da Ordem Militar de Malta. Esteve preso em Argel, vindo a conhecer na prisão Miguel de Cervantes. Libertado em 1577, regressa a Portugal, prestando serviços ao rei Filipe II de Espanha e vivendo dois anos em Valência. De regresso a Portugal casa-se com D. Madalena de Vilhena, após o desaparecimento de D. João de Portugal, seu marido, na batalha de Alcácer Quibir. Assume vários cargos, como o de capitão-mor de Almada e o de guardador-mor da Saúde. Após a morte de sua filha professa na Ordem de São Domingos, dedicando-se inteiramente à escrita.
 
De uma forma resumida, o enredo é o seguinte: A obra concentra-se no período da vida de Manuel de Sousa Coutinho imediatamente antes do seu ingresso, juntamente com a esposa D. Madalena de Vilhena, na vida monástica. Decisão tomada pelo facto de o primeiro marido de D. Madalena, D. João de Portugal, tido por morto na Batalha de Alcácer Quibir, estar ainda vivo e ter regressado a Portugal, tornando ilegítimo o casamento de D. Manuel e bastardos os seus filhos.
E aí começa a verdadeira dimensão trágica desta peça: realmente, tudo apontava para uma alta improbabilidade da hipótese de D. João de Portugal ainda estar vivo e mesmo a sociedade via com bons olhos o casamento entre Manuel e Madalena. Temendo a catástrofe, D. Madalena tem constantemente premonições trágicas, as quais vão ser concretizadas com a chegada de um Romeiro, que diz vir da Terra Santa e querer falar com Madalena. Ao revelar a sua identidade, uma série de consequências irão advir. Mostrando uma dignidade tocante, Manuel de Sousa Coutinho rende-se ao destino cruel e vai professar, juntamente com Madalena. Maria, a filha, revoltar-se-á contra uma sociedade retrógrada, que de nada lhe valeu a revolta, antes pelo contrário. O seu rótulo de ilegítima custar-lhe-á a morte por vergonha.
 
Para concluir, diga-nos como gostaria de ficar para a história...
Bem... reconhecido pela minha obra, sem dúvida!
 
Agradecemos a sua colaboração neste trabalho e desejamos-lhe um romântico regresso ao passado.
Foi um prazer conceder-vos esta entrevista e divulgar um pouco de mim e da minha obra. Gostei muito desta entrevista.
Fontes utilizadas
Feel Like..: Com muito sono...

Fontes da Grande Entrevista

Fontes:
·         Centro de Documentação de Autores Portugueses. Almeida Garrett. Acedido em 2 de Fevereiro de 2007. Instituto Português do Livro e das Bibliotecas: http://www.iplb.pt/pls/diplb/!get_page?pageid=402&tpcontent=FA&idaut=1748103&tipo=&format=NP405
 
·         Conferência sobre o Divino no Liceu Maria Amália, Dezembro 18, 2004. Acedido em 12 de Fevereiro de 2007. Blog O Divino: http://odivino.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_12.html
 
·         Frei Luís de Sousa. Acedido em 12 de Fevereiro de 2007. Portal da Literatura: http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=137
 
·         Frei Luís de Sousa. Acedido em 14 de Fevereiro de 2007. Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Frei_Lu%C3%ADs_de_Sousa
 
·         O Sebastianismo em Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett. Acedido em 8 de Fevereiro de 2007. CITI – Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas: http://www.citi.pt/cultura/historia/personalidades/d_sebastiao/garrett.html
 
·         Teatro. Almeida Garrett. Acedido em 8 de Fevereiro de 2007. CITI – Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas: http://www.citi.pt/cultura/teatro/dramaturgos/garrett/gar_romantismo.html
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